Tem líder que adoece tentando não adoecer ninguém.
Dizem que chefes adoecem pessoas.
Mas ninguém fala das pessoas que adoecem tentando ser bons chefes.
No LinkedIn, o roteiro é conhecido:
“Se alguém pediu demissão, a liderança falhou.”
“Se alguém pediu aumento, é porque não se sentiu valorizado.”
Tem lógica. Mas nem sempre é justo.
Antes de mais nada, é verdade. Existem chefes tóxicos (e muitos).
Empresas que aprisionam, gestores que controlam por medo, culturas que adoecem.
60% das pessoas dizem que o trabalho é o principal fator que afeta sua saúde mental. E o chefe, segundo a Forbes, impacta mais do que médicos, terapeutas ou parceiros amorosos. No Brasil, apenas 3,6% dos profissionais dizem nunca ter sofrido com comportamentos tóxicos vindos da liderança. Ou seja, sim: isso existe, e precisa ser combatido.
Mas… e quando o chefe adoece tentando evitar tudo isso?
- 42% dos líderes relatam mais estresse do que suas equipes.
- 40% dos executivos já consideraram pedir demissão por burnout.
Tem líder que não dorme direito.
Que precisa inspirar, mesmo quando está em pedaços.
Que acolhe o time e engole o próprio caos.
Que segura a equipe com uma mão e a saúde da empresa com a outra.
E tem algo que ninguém vê:
Sim, o líder ganha mais.
Mas também carrega mais.
Carrega o silêncio depois do expediente.
A decisão que não sai da cabeça.
O elogio que não vem.
O medo de não dar conta, escondido atrás de um “tá tudo certo”.
Você entra na sala com vista, mas perde as noites de sono.
Assina contratos com uma mão e segura a ansiedade com a outra.
Recebe um bônus e paga com o corpo, com o tempo, com a paz.
Você chega lá.
Mas, no fundo, segue se perguntando:
Será que vale o preço?
Eu mesmo sempre fui um cara da noite.
Meu processo criativo sempre fluiu melhor no silêncio.
Mas a vida de empresa me moldou a ser do dia.
Na pandemia, vi clientes afundarem.
E, claro, a maré veio pra cima.
A razão dizia: “corte pessoas.”
Mas o coração não deixava.
Seguramos. Viramos. Deu certo.
Mas isso me custou uma insônia que dura até hoje.
Viro, em média, duas noites por semana.
Já até criei hábitos em volta disso.
Sei que não é saudável. Mas é o preço que paguei por tentar ser o líder que eu gostaria de ter. E muitos desses boletos, sejam eles emocionais, físicos ou silenciosos, ninguém vê.
Já falei muito de cultura, equipe, processos.
Hoje, só queria dividir isso.
Porque liderar também cansa.
E talvez você esteja cansado também.
Se você se identificou com alguma parte desse texto, deixe seu comentário.
Ou só um sinal de vida. Pra gente saber que não tá sozinho nessa jornada.
Combinado?!

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