Será que estamos falando a mesma língua?
Hoje o call foi cancelado porque o budget não bateu com o deliverable.
Mas tá tudo alinhado com o forecast do quarter, então seguimos com o follow-up, ok?
Faria Limers, galera do corporativo, mercado digital... chame como quiser.
Todo mundo já normalizou o “portinglês” no dia a dia.
Só que dá pra piorar. E a gente consegue.
É quando a nossa língua oficial vira o tecniquês com sotaque gringo digital. E aí nasce o caos:
“Esse lead tá meio frio, mas tem fit.”
“Tem cara de MQL, mas não virou SQL porque o SDR não ativou.”
“Não converteu, mas gerou awareness.”
Ah, antes que me xingue, sou um redator-atendimento que vive no meio do fogo cruzado. Convivo todo dia com esse desafio: traduzir, mediar e equilibrar essa busca incessante por resultados.
Metade da sala fala essa língua com fluência.
A outra metade só reconhece palavra-chave no meio do caminho.
Tem quem domina o inglês, mas não entende nada de marketing.
Tem quem manja tudo de marketing, mas trava no inglês.
E tem quem sabe um pouco de cada, mas se perde na tradução.
Todo mundo repete. E cada um entende o que quer.
E aí vem o grande problema: o controle de expectativa.
Vamos simplificar:
Você pediu um lead paulistano, 35 a 45 anos, formado, viajado.
Te entreguei isso. Mas você diz que é ruim.
“Porque ele não quer comprar agora.”
“Porque não respondeu o Whats.”
Esse lead tá certo no perfil, mas errado no estágio.
Ou seja: o problema não é o lead. É o momento.
Criamos uma landing page bem feita.
Rodamos campanha com segmentação fina.
A pessoa clicou. Passou os dados.
Chamamos atenção. Geramos interesse.
Porque, convenhamos:
Ninguém entrega telefone pra vendedor se não considera comprar um dia.
E aí lembrei de um exemplo real que aconteceu comigo:
Sou dono de agência há 18 anos. Na época, morava sozinho perto da Paulista de aluguel, e um dia me peguei pensando:
“Será que vale a pena comprar um apê pequeno por aqui?”
Fui pesquisar. Achei um ótimo: apê com uma suíte, na mesma rua que eu já curtia. Pequeno e perto de tudo. Mas o preço não aparecia. Pra descobrir, só preenchendo o formulário.
Fui lá. Deixei meus dados.
Logo depois, o corretor me ligou.
Educado, atencioso, me passou os valores.
Era um pouco acima do que eu imaginava. Mas fez sentido.
Anotei e comecei a fazer contas. Entendi o que eu precisava fazer pra comprar aquele apartamento. Um dia. Não naquele dia.
E aí te pergunto:
Fui um lead ruim? Ou um lead frio?
Depende da leitura.
Mas pra mim, é simples:
Se você me descarta ali…
Perde uma venda certa futura.
A gente acostumou tanto com a pressão de gerar leads, que acha que lead bom é o que compra na mesma hora. Até porque amanhã tem muito mais. E descartamos um ativo importante para a empresa. Em resumo, jogamos dinheiro pela janela.
Entre todos os desafios, que já são enormes, aliados a todos esses termos técnicos importados, o papo é simples:
Gerar interessados.
Agendar reuniões.
Converter em vendas.
Bora simplificar?

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