O fim das agências de publicidade: será que chegou a hora?
Será o fim das agências de publicidade?
Esses dias fui para uma reunião achando que ia começar uma grande negociação. Tinham me dito que o cliente queria trocar de agência.
Passei dias estudando o que foi feito nos últimos anos.
Analisei oscilações, pontos cegos, sinais de desgaste.
Cheguei com todas as perguntas certas na manga.
Pronto pra ouvir, provocar, construir algo novo.
Mas bastaram cinco minutos pra perceber: não era de estratégia que ele precisava.
Antes de qualquer avanço, teria que vender algo mais básico: a ideia de que ainda vale confiar em uma agência.
Do outro lado da mesa, não tinha só um cliente insatisfeito.
Tinha alguém exausto. Ferido.
Alguém que já investiu tempo, dinheiro e esperança… e recebeu promessas vazias, entregas pela metade e sumiços inexplicáveis.
Ele não queria só resultado. Queria presença. Queria escuta.
Queria uma parceria de verdade.
Daquelas Que compartilham o peso.
Que sangram junto quando é preciso.
Essa cena me fez lembrar do meu começo nesse mundo.
Tinha apenas 22 anos quando abri minha agência.
Jovem e com vontade absurda de fazer diferente.
Naquela época, o mercado era outro. Poucas agências, poucas promessas, muito suor.
Tinha as gigantes intocáveis. E as pequenininhas, como a minha, que faziam de tudo um pouco. A gente ganhava cliente no olho no olho, no cuidado com o briefing, na entrega bem feita. A régua era mais baixa, mas o vínculo era mais alto.
Aí veio o boom. E com ele, a bagunça.
Com o marketing digital, agência virou moda.
Pulverizou. Democratizou. Automatizou.
Mas, no meio disso tudo, perdeu profundidade.
Mentores começaram a vender atalhos.
Promessas de “faturar seis dígitos com funil mágico”.
Confundiram confiança com soberba. Técnica com improviso.
E começaram a tratar cliente como número.
Um dia, no fim de uma reunião com uma cliente de mais de 5 anos de casa, ela desabafou:
“Você não sabe. Aquele menino não tinha nem 25 anos. Disse que tudo na minha empresa estava errado. Que com o plano dele, eu ia ficar milionária. Ele veio de Uber pra reunião, Dan. Quem ele pensa que é?”
Sei que pode soar cruel. Mas não era.
Ela veio de baixo. Construiu uma empresa, um nome, uma história.
E viu alguém ignorar tudo isso em dois minutos de reunião. Como vou culpá-la?
Por essas e outras, a pergunta que me ronda hoje é:
Como a gente reconstrói a confiança?
Porque vender estratégia virou fácil.
O difícil é vender esperança com responsabilidade.
O maior diferencial de uma agência hoje é ter noção.
Falar “não sei” quando não sabe.
Dizer “vamos testar” sem medo de parecer inseguro.
Ficar. Sustentar. Acompanhar.
Depois de 18 anos nessa estrada, sigo aqui.
Com menos deslumbramento e mais clareza.
Porque ainda acredito em agência.
Não a que promete mágica. Mas a que segura a mão, encara junto e entrega com verdade.
Afinal, se completamos 18 anos de mercado, alguma coisa estamos fazendo bem.
E você, qual foi o maior absurdo que você já viveu com uma agência (ou sendo uma)? Bora conversar!

0 Comments Adicionar um comentário?