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#ContosDeAgência: entramos no jogo perdendo de 2 a 0.

Todo conto tem um ponto.
Esse começou com clima de O Lobo de Wall Street…
e terminou com trilha sonora de Titanic.
#ContosDeAgência
...

Primeira reunião de estratégia no cliente novo.
Aquele frio na barriga gostoso de quem gosta de desafio.
Mesa grande. Três pessoas alinhadas horizontalmente. E uma na ponta.
- Olá, Dan. Seja bem-vindo. Aceita um café?

Aceitei, claro. Café sempre parece que deixa a conversa mais humana.
Enquanto abria o notebook, ele começou:
— Como vocês sabem, nesses últimos dois anos tivemos muitas dificuldades em vendas. Investimos muito. Mudamos estratégias. Mudamos parceiros. E nada. Por isso, Dan, resolvemos avançar com vocês.

Confesso: por três segundos eu me senti lisonjeado.
No quarto segundo eu fiz uma conta silenciosa.

Dois anos. Dois anos tentando.
Dois anos errando. Dois anos acumulando expectativa.
E eu estava chegando agora.

Com o tempo, a gente já entende: novo parceiro nunca começa do zero.
Ele começa do prazo perdido dos antecessores.

A sensação é de chegar atrasado, mesmo sem saber que tinha compromisso.
É como entrar aos 35 minutos do segundo tempo com o placar contra e ainda ouvir:
- Confio em você. Entra e resolve.

Respirei.
- Agradeço a confiança. Estou ansioso pra entender mais a fundo o que foi feito nesses dois anos. Conquistas. Dificuldades. Testes…

Ele interrompeu.
- Sim, sim. Mas pra deixar claro: a meta é inegociável.
Precisamos dobrar o investimento em 9 meses.

Silêncio. Os funcionários se entreolharam.
Aquele misto de vergonha com “lá vem”.

Enquanto engoli a seco, perguntei:
— Claro, Dias. Mas me diz, como estão as taxas de conversão do comercial?

Rapidamente, senti que aquela pergunta afundou a sala.
Eles se olharam de novo.

Dias abriu o CRM. Alguns cliques.
Fechou. Abriu uma planilha.
Não era essa. “Qual era mesmo?”
- Dan, as taxas estão ok. Estamos bem próximo da média de mercado.

“Média de mercado.”
Eu tenho um pequeno ódio dessa frase.

Porque, geralmente:
- Não sabem qual é a média real.
- Não sabem a própria.
- E usam isso como anestesia.

Mas pera. Pensa comigo:
- Dois anos de dificuldade.
- Meta inegociável.
- E estamos na média?

Tem algo que não fecha.
— Dias, digo isso porque entender cada etapa do funil vai acelerar muito nossas decisões. O que aconteceu nesses dois anos em cada ponto?

Pelo olhar dele, eu entendi a tradução silenciosa:
“Você quer que eu faça o seu trabalho?”

Mas ele respondeu:
— O que eu puder te passar, eu te passo. Mas precisamos lembrar da meta. Se não batermos, todos aqui falharam.

Saí da reunião com uma conclusão simples:
Trocar parceiro não corrige desorganização.

Se o funil é invisível, não importa quem esteja sentado na ponta da mesa.
Você só troca o nome do culpado, mas o jogo continua o mesmo.

É simples:
Empresa nenhuma cresce porque trouxe “o cara certo”.
Cresce quando decide jogar diferente.

Diz pra mim: você já sentiu que a meta era mais desejo do que estratégia?