Além Das Conquistas: Liderar É Também Carregar Culpa
Lembra do Aprendiz?
Quando os colaboradores morriam de medo de entrar na sala de reunião, e o Justus, firme e categórico, começava a anunciar as demissões com uma explicação sem rodeios, como se fosse tudo muito simples?
A gente via e pensava: "Esse cara é imbatível." Mas sabe o que ele mesmo revelou em uma entrevista? Aquela postura de "chefe sisudo" era parte de um personagem. A verdade é que, no fundo, ele também sabe que demitir é difícil. Não tem jeito.
E é aí que a vida real começa a ser bem diferente do que vemos na TV. Quando você precisa desligar alguém da empresa, é como assinar um fracasso pessoal. Não importa o motivo: pode ser porque o mercado apertou, a folha ficou pesada ou porque, em algum momento, um talento que vimos lá atrás não floresceu como esperávamos.
E, sinceramente? Nessas horas, eu até queria ser aquele chefe do primeiro parágrafo. Frio, calculista. Mas não sou.
A verdade é que situações assim tiram o sono. Noites em claro, ansiedade, planos e mais planos para tentar evitar o inevitável. Só que a vida – e o tempo – ensinam que, como líder, você não está lidando só com números ou planilhas. Está lidando com pessoas, e com muitas vidas em jogo.
💔 E isso dói.
Desde que fundei nossa agência, sempre tivemos o mesmo posicionamento: proximidade. E proximidade significa criar laços. Com o tempo, a gente se torna amigo, conhece a história, a família, o cachorro, os sonhos. Não tem como isso não pesar.
Muita gente pode pensar: "Ah, se chegou nesse ponto, a pessoa também tem sua culpa." Talvez até seja verdade, mas a culpa é sempre uma via de mão dupla, não é?
O colaborador talvez não tenha conseguido se tornar insubstituível, é verdade. Mas, por outro lado, será que o líder fez o suficiente para desenvolvê-lo para isso?
Porque, se você contratou alguém que viu o potencial, os talentos, e até os pontos fracos, você sabe exatamente onde investir para ajudar na evolução dessa pessoa. Mas a verdade é que nem sempre funciona. Seja por um lado, pelo outro, ou até pelos dois.
Esses são os fracassos invisíveis que ninguém vê. Eles não aparecem nos relatórios nem nos almoços de domingo, mas tiram o sono de quem lidera.
Sei que faz parte do processo. Mas não significa que seja fácil.
E você, já passou por uma situação difícil como líder ou colaborador? Como lidou com o fracasso, a decisão difícil ou o desligamento? Compartilhe sua experiência nos comentários, vamos trocar ideias sobre como todos nós podemos crescer com esses desafios.

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