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Eu só queria escrever. A vida tinha outros planos.

Eu só queria ser redator. Só isso.
Escrever até perder a noção da hora.
Ler um texto e sentir aquele arrepio de “puta que pariu, acertei”.
Viver de palavra bem colocada.

Nunca sonhei em ser patrão.
Não queria palco, nem keynote, nem nome de cargo pomposo.

Só queria uma chance. Uma brecha.
Um canto pra fazer o que eu mais amo:
Escrever.

Mas o mercado tinha outros planos.
Me pediam portfólio.
O portfólio exigia experiência.
E a experiência… nunca vinha.

As únicas vagas eram pra atendimento.
Logo eu. Que travava só de pensar em reunião.
Que suava frio com ligação de cliente.
Que preferia passar três horas ajustando uma vírgula do que cinco minutos puxando papo no café.

Meio tímido, meio inseguro.
Achava que não era bom com gente.
Achava que meu lugar era o bastidor.

Ironicamente, abri uma agência.
Mas não foi à toda:
Me dei a vaga. Me dei o espaço.

Mal sabia que, junto com a vaga, vinha o combo:
Planilha, contador, contrato, cobrança, boleto, pressão.

E, pra completar, virei atendimento. Não porque quis. Mas porque, enquanto eu criava conceito e campanha… o diretor de arte sumia no universo dele.
E alguém precisava falar com o cliente.
Por “espírito de equipe”, fiquei. Fui ficando.
Fiquei mais do que achei que conseguiria.
(E pensar que tudo começou porque eu queria fugir do atendimento...)

Anos depois, entendi:
Eu não era tímido.
Só não era do tipo que se espalha.
Não sou de fazer amizade em cinco minutos.
Mas quando me conecto, é de verdade.

Apesar de esquecer nomes e aniversários, eu percebo gente.
Reparo nos silêncios, nas pausas longas, nas entrelinhas que ninguém escreve. E foi isso que me fez bom no atendimento.

E como alguém que ama ideia, comecei a criar na área.
Criei a Metodologia Próxima, um jeito de atender gente como gente.
Sem palco. Sem pose. Com escuta, presença e respeito.

A agência cresceu. São 18 anos de história.
Mais de 500 clientes atendidos.
Alguns estão com a gente há 8 anos ou mais.

Eu, que queria fugir da gestão, aprendi a gostar de geri-la.
Porque foi ela que me deu liberdade, clareza, autonomia.

E me devolveu o direito de fazer o que eu mais queria:
Escrever.

E você?
Já foi parar num lugar que nunca planejou… e acabou se encontrando?
Me conta aqui. Vai que sua história também vira começo de outra.