Eu não queria empreender. Queria pertencer.
Eu não sonhava alto.
Acredite: eu só queria escrever.
Colocar palavra atrás de palavra até virar ideia.
Sentir aquele arrepio quando o texto acerta em cheio. Só isso.
Mas o começo me levou pra longe disso.
Meu primeiro estágio foi em shopping, como promotor de vendas.
Ficava em pé ao lado do produto, respondendo dúvidas.
Eu, tímido, tentando sorrir com naturalidade. Odiava.
Mesmo assim, tentei transformar em algo que fizesse sentido.
Observava concorrentes, escrevia relatórios com sugestões.
Mas esperavam de mim presença, não pensamento. Desanimei. E desisti.
O segundo parecia melhor: marketing. Mas numa empresa que vendia armas pro Exército. Sim, armas. E eu, pacífico, idealista… traduzindo manuais e sugerindo ideias pra uma feira militar.
Levei campanha, conceito, criatividade. A empresa escolheu outro caminho:
Mulheres com curvas estratégicas pra atrair olhares dos velhos babões da indústria. Ali, percebi: não tinha mais espaço pra ideia.
Saí decidido a encontrar um lugar onde criatividade fosse levada a sério.
Fui atrás de vagas em agências, mas o mercado tinha outros planos.
Pediam portfólio. O portfólio exigia experiência.
E a experiência… nunca vinha.
As únicas portas abertas eram pra atendimento.
Logo eu. Que travava só de pensar em reunião.
Preferia três horas ajustando vírgulas do que cinco minutos puxando papo no café.
Me achava tímido. Inseguro.
Ou me fizeram acreditar nisso.
Achava que meu lugar era o bastidor.
À noite, eu me reconectava.
Fazia freelas com o Augusto César ACE, minha dupla.
Ali, a cabeça respirava. Até que veio o sopro de coragem:
E se a gente criasse o nosso próprio espaço?
Assim nasceu a Trammit Publicidade.
A gente jogou tudo pro ar… e se jogou junto. Um grito de liberdade.
Mas veio o pacote completo: contrato, contador, cobrança, pressão. E bota pressão nisso. Pra completar, virei atendimento. Não porque quis.
Mas porque alguém precisava falar com o cliente.
Fiquei. Mais do que achei que conseguiria.
Anos depois, entendi: eu não era tímido.
Só não era do tipo que se espalha.
Mas quando me conecto, é de verdade.
Apesar de esquecer nomes e aniversários, eu percebo gente.
Reparo nos silêncios, nas entrelinhas que ninguém escreve.
E foi isso que me deu tempero pra atender.
Como uma mente inquieta que ama criar, comecei a inventar dentro do atendimento. Desenvolvi a Metodologia Próxima: um jeito de atender gente como gente.
A agência cresceu. Neste ano, completamos 20 anos.
Mais de 500 clientes atendidos. Mais de 200 colaboradores que começaram ou pousaram aqui.
A Trammit é como uma filha que vi engatinhar, tropeçar, cair.
E, de repente, pronta pra voar. É aquele misto de saudade do começo… e orgulho do agora.
Ela me deu liberdade de ser quem eu sou.
Aquele menino atrapalhado, esquisito, diferente… sonhador.
E me devolveu o direito de fazer o que sempre quis: escrever.
E você? Já se encontrou num lugar que nem sabia que estava procurando?
Me conta aqui. Vai que sua história também é começo de outra.

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