Estamos criando campanhas ou invadindo espaços?
A governança da internet está em debate. E a do marketing, tá onde?
Antes de falar de algoritmos, IA generativa ou campanhas de alta performance, a gente precisa voltar ao básico: quem é essa pessoa do outro lado da tela?
É um cidadão digital.
Alguém que navega com um histórico invisível sendo rastreado.
Que cria logins sem nenhum vínculo ao seu RG, e muitas vezes sem saber onde seus dados vão parar. Que aceita cookies sem ler.
Vivemos a era do marketing em velocidade 6G.
Cada nova IA promete mais escala.
Cada plataforma exige mais presença.
Cada campanha quer mais conversão.
Mas, nesse frenesi de performance, será que a gente não esqueceu de apertar o cinto da ética? Enquanto otimizamos até a última vírgula do e-mail, poucos estão perguntando:
- De onde vêm os dados que usamos?
- Com quem estamos compartilhando essas informações?
- Quais decisões estamos automatizando sem supervisão humana?
- Será que o usuário gostaria de ser reconhecido ou permanecer anônimo?
De 23 a 27 de junho, em Oslo, acontece o hashtag#IGF2025 - Fórum de Governança da Internet. Lá, representantes de governos, sociedade civil e empresas do mundo inteiro vão debater temas que deveriam ecoar nos corredores das agências e nas reuniões com clientes:
1. Transparência no uso de IA
Inteligência artificial sem esconder o jogo: como está sendo usada, com que dados e pra quais decisões.
2. Proteção e soberania dos dados
Garantir que os dados dos usuários estejam seguros, e que quem decide sobre eles seja o próprio dono, não uma plataforma.
3. Inclusão digital e responsabilidade social
Pessoas tenham mais acesso à internet e à informação de qualidade, sem exclusão ou desigualdade.
4. Privacidade by design
Criar sistemas, campanhas e ferramentas que já nascem respeitando a privacidade, e não só “ajustam depois”.
5. Neutralidade e ética algorítmica
Garantir que algoritmos não favoreçam certos conteúdos ou prejudiquem grupos, e que sejam justos, auditáveis e explicáveis.
6. Liberdade de expressão e anonimato digital
Defender o direito de se expressar e de navegar sem ser rastreado, com segurança e respeito, inclusive pra quem precisa de anonimato pra existir online.
Porque se a internet precisa de governança... o marketing também.
Precisamos discutir, entre briefing e campanha:
- Como garantir que o uso de IA respeite a ética?
- Como comunicar de forma transparente a coleta de dados?
- Como criar jornadas automatizadas que não violem direitos?
- Como ser criativo sem manipular ou desinformar?
A era da performance não precisa ser a era da cegueira.
A governança da internet está sendo desenhada agora.
E nós, marqueteiros, criativos, estrategistas, não podemos ficar de fora.
Porque marketing bom não é só o que vende. É o que constrói, com respeito, clareza e responsabilidade.
Esse assunto precisa sair das manchetes e entrar nas reuniões.
E você, o que acha disso tudo? Bora ampliar esse debate juntos!

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