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Cordel de quem construiu e esqueceu de criar

Agora um cordel:

A agência tá viva, crescendo com calma,
Rodando tão linda, aquece minh'alma.
Com tudo no eixo, no trilho, no chão,
Uma sobrevivente, com força e paixão.

O time responde, a entrega é certeira,
O cliente agradece, é tudo de primeira.
E eu sigo junto, pura dedicação,
Mas às vezes me esqueço da minha paixão.

Porque ser fundador tem o seu preço,
A gente faz tudo, se vira do avesso.
Já fui redator e até financeiro,
Fui atendimento, o que apaga incêndio.

Fui onde faltava, sem pestanejar,
Porque quem constrói não pode parar.
E nisso entreguei tudo o que podia,
Mesmo sabendo que o brilho sumia.

Abri mão da ideia, da mente criativa,
Pra manter no ar uma agência tão viva.
Fiz o que era certo, fiz o que devia,
Mas bem lá no fundo, a dor não sumia.

Porque o tempo cobra, sem compaixão,
Vai nos apagando, traz a solidão.
O dom se esconde num canto qualquer,
E a gente se engana: “tá tudo certo, né?”

Mas a gente sabe onde a gente brilha,
E sabe o sabor quando a ideia fervilha.
E mesmo sem crise, sem drama, sem dor,
Dá aquela saudade de ser criador.

De inventar mundos, caminhos, trajetos,
De olhar pra frente e pensar: "o que é certo?"
Porque empreender é também imaginar,
Pegar toda a dor e logo transformar.

Minha mente gritava: “me deixa inventar!”
Fiz música, livro, só pra não travar.
Mas criar lá fora é só resistir
Lá dentro eu existo, faço o novo surgir.

A Trammit Publicidade é filha, foi sempre razão,
Agora merece minha melhor versão:
A do pai que dedica com amor o seu dom,
Com menos planilha e mais explosão.

Ofereço pra ela o que é só meu:
A chama que arde, que sempre viveu.
De me reinventar, pra logo resnascer
E em todos os dias me fortalecer.

É lindo ver um sonho tão vivo,
Dezoito anos… me sinto tranquilo.
O impulso de um dia tentar o impossível,
Virou realidade, e hoje é indestrutível.